terça-feira, 31 de maio de 2011

Artigo do mês: Falar errado na infância não é “bonitinho”

                                                                        

Quando o seu filho(a) fala “catorro” ao invés de cachorro ou “máguina” para máquina, todos os seus familiares e até mesmo vocês pais dizem: “Que gracinha!” e até incentivam o erro? Saibam que esta é uma questão muito séria e que merece a sua reflexão.
O fato de incentivar a criança a falar errado e até mesmo repetir na pronúncia os “erros” que elas cometem na fala não contribui em nada para a aquisição da linguagem oral das crianças. Durante o processo de aquisição da linguagem a criança utiliza como parâmetros a fala do adulto. É comum ocorrerem alguns “erros” nesta fase. No entanto, esses erros não devem ser incentivados e/ou repetidos pelo adulto, pois se isso acontecer a criança aprenderá a sistematizar tais erros. Ao corrigir uma criança, quando a mesma pronuncia algo diferente do padrão normal, não devemos repetir a pronúncia errada, mas sim lhe oferecer imediatamente o modelo correto.
O adulto deve prestar atenção se esses erros ocorrem apenas de modo assistemático, ou seja, em algumas situações ou pronúncias, ou se ocorrem de maneira sistemática, ou melhor, sempre. È interessante anotar quais os sons (fonemas) que a criança tem mais dificuldade em pronunciar, como e quando tais erros ocorrem: no começo, final ou meio da palavra, se é apenas uma troca, repetição ou omissão de sons ou sugere alguma dificuldade na fala, ocorrem quando a criança está mais nervosa, ou com crianças maiores, se está relacionado com a troca de dentição, entre outros fatores.
Um estudo realizado em 1994 por Mourão e colaboradores, com crianças na faixa etária de dois anos e seis meses de idade até cinco anos e seis meses de idade, teve como objetivo identificar a ocorrência dos fonemas (sons das letras) nesta faixa etária. Mourão e colaboradores puderem constatar que dos dois anos e meio até os três anos a criança já deve estar falando os fonemas de sua faixa etária. A partir dos dois anos e meio até os três anos de idade a criança não apresenta trocas, o que pode ocorrer é que a criança omita alguns fonemas, dentro de sua faixa de idade. Por exemplo, ao invés da criança falar “prato”, ela pronuncia “pato”, omitindo o fonema r, apresentando, portanto, uma omissão do grupo consonantal r. A conclusão do trabalho é que crianças com cinco anos e meio já são capazes de produzir todos os sons da fala, se não houver nenhuma patologia interferindo nesse processo. Outros autores como Jakobson (1971), Azcoaga (1977), Aboone e Plante (1994) também concluíram em suas pesquisas que essa hierarquia demonstra que, de acordo com o aumento da idade, a habilidade motora específica da fala é aprimorada.
Abaixo segue a tabela de ocorrência dos sons em relação à idade, proposta por Mourão e colaboradores (1994). No entanto, para facilitar a leitura desta tabela, realizei uma adaptação pessoal, os fonemas (sons) em negrito estão representados pelas letras as quais correspondem, uma vez que se trata de uma simbologia específica e de difícil compreensão.

2anos e 6meses a 3anos e 6meses: /m/, /n/, /p/, /b/, /t/, /d/, /l/, /s/, /z/, /g/, /x/, /lh/, /j/, /nh/,
 /ch/ e {S}.
3anos e 6meses a 4anos e 6meses: Idem + /r/, grupo consonantal (l) e {R}.
4anos e 6meses a 5anos e 6meses: Idem + grupo consonantal (r)

Contudo, cabe ressaltar que esse processo também depende muito da individualidade de cada criança. Se uma criança de quatro anos de idade ainda não consegue pronunciar o grupo consonantal r, não há motivos para pânico, pois, teoricamente, apenas com cinco anos e seis meses é que a criança estará totalmente apta para pronunciar corretamente este som. Em caso de dúvidas o ideal é procurar um profissional habilitado, o qual poderá avaliar a criança, se julgar necessário.
É importante que os pais fiquem atentos, porém sem ficarem alarmados ou estressarem as crianças. Em caso de dúvidas, o melhor que se tem a fazer é consultar um fonoaudiólogo, pois este é um profissional habilitado para cuidar da comunicação oral e escrita, voz, fala, linguagem e audição das crianças e também dos adultos.
                                                                    
                                                                                                       Fgª Alessandra R.D.V. Cajueiro
                                                              CRFa 12.227
                                                  
**Este artigo é de total e plena responsabilidade da Fgª Alessandra R.D.V. Cajueiro, sendo expressamente proibida a cópia e/ou reprodução do mesmo. Também ressalto que este artigo não substitui a consulta com o fonoaudiólogo ou qualquer outro profissional.                                  

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